De volta à nação gospiana
  • 16 out 2019

De volta à nação gospiana

Queridos Irmãos do Grande Oriente de São Paulo,

Volto à liderança do nosso Oriente após um período de cuidados e atenção com a saúde, em que precisei me afastar das atividades que tanto me agradam como servidor maçônico. Mesmo com as limitações na agenda, o que me leva a restringir as inúmeras viagens pelas Lojas da capital e do interior e que me trazem o encontro fraterno com os Irmãos, síntese da minha vida maçônica, me sinto aos 66 anos com o mesmo pique de quando fui iniciado na Ordem, há quase 20 anos. Lamento não poder abraçar cada Irmão que enviou sua mensagem e desejo de melhoras. Que estas palavras possam exprimir meu agradecimento pelo carinho.

O cuidado com a saúde serviu para aprofundar leituras que, pela correria do serviço maçônico, estavam paradas. Um dos livros que visitei foi Amor e Vida, do monge católico norte-americano Thomas Merton, que tinha, entre suas qualidades, o pacifismo e o ecumenismo. Lá pelas tantas, deparei com uma passagem que me trouxe uma contemplação importante: “Toda vida cristã se destina a ser ao mesmo tempo profundamente contemplativa e rica em obra ativa. (…) É verdade que somos chamados a criar um mundo melhor. Mas somos chamados, antes de tudo, a uma tarefa mais imediata e elevada: criar nossas próprias vidas. Ao fazer isso, agimos como cooperadores de Deus”.

Que belas palavras, meus Irmãos! Isso muito me toca porque tenho tentado, em toda a minha vida maçônica e profana, ser esse cooperador de Deus. Às vezes, acerto; às vezes, não, mas sigo melhorando e mantendo sempre a humildade de ouvir mesmo aos 66 anos de idade. No fundo, nossa atividade como Maçom tem com objetivo prático sermos esse cooperador da divindade, tendo a sagrada missão de levar dignidade e altivez de espírito de vida a todos que precisam. Ao partilharmos uns com os outros a obra criativa de viver no mundo, escreve Merton, nos ajudamos mutuamente a criar ao mesmo tempo nosso próprio destino e um mundo novo para os nossos descendentes.

Que possamos todos, de Aprendizes a Mestres, dos mais jovens aos mais velhos na Obediência, enfrentarmos todos esses desafios internos e externos para nos tornarmos, a cada dia, um cooperador do Grande Arquiteto do Universo.