Sigam-me os que forem brasileiros
  • 03 abr 2019

Sigam-me os que forem brasileiros

Era o dia seis de dezembro de 1868 quando o Marechal de Exército Luiz Alves de Lima e Silva, o Marquês de Caxias, que liderava as tropas brasileiras na Guerra do Paraguai (o título de Duque viria depois), precisava, em pleno território inimigo, atravessar uma pequena ponte de três metros, a ponte de Itororó, fortemente defendida pelos soldados paraguaios. A missão do Marechal era garantir que o exército inimigo corresse dali e fosse para o interior, o que permitiria o avanço das tropas compostas pelo Brasil, Argentina e Uruguai em direção a Assunção. A Guerra do Paraguai já durava quatro anos e o Brasil estava numa situação difícil. Foi preciso convocar o velho Caxias, de 65 anos, para, imbuído de suas virtudes de pacifista e estrategista, assumir o treinamento e reorganização das tropas.

 

As notícias ali não era boas: o Coronel Fernando Machado de Souza, veterano militar de guerras anteriores, até conseguiu atravessar a ponte, mas havia sido morto; outro que atravessou a ponte foi o General Gurjão, mas ele acabou sendo ferido nos ombros e faleceu dias depois. Estas e de outras tantas notícias desanimadoras desmobilizaram a tropa brasileira e a debandada parecia eminente. Naquele momento, lutas intensas a pé, corpo a corpo e a cavalo aconteciam. Além dos canhões e baionetas que compunham a artilharia inimiga, a topografia do local favorecia o exército paraguaio, que disparava sem cessar.

 

Entra em cena o velho Caxias. Ele esporeou seu cavalo, desembainhou sua espada diante do seu exército e, em voz firme, bradou: “Sigam-me os que forem brasileiros!”. No livro Caxias, de Affonso de Carvalho, conta-se que “toda aquela massa que há pouco amolecera e se desfibrara sob a ação do pânico, readquire de súbito sua vitalidade e poder combativo”. A partir dali, as tropas ultrapassaram a ponte e abriram caminho para a vitória brasileira no ano seguinte. Duque de Caxias se tornou anos depois Patrono do Exército Brasileiro e sua fama de pacificador entrou para a história brasileira e para o anedotário brasileiro: chamar alguém de “Caxias” significa dizer que tal pessoa é correta em tudo o que faz.

 

Foi com a frase Sigam-me os que forem brasileiros que decidi encerrar nosso histórico 1º Encontro da Maçonaria sem Fronteiras na Catedral Anglicana de São Paulo. No GOSP também temos a nossa batalha pela verdade ao lutar contra as notícias falsas que uns e outros ainda teimam em propagar maliciosamente. Somos, posso garantir a todos os Irmãos, “Caxias” em tudo, na conduta e no amor à Pátria e a São Paulo! Estou feliz pelo movimento que se iniciou na noite do dia 11 de março de 2019, de estimularmos uma Maçonaria que pregou o diálogo e encontro com todos os setores da nossa sociedade, dos civis aos militares, dos empresários aos políticos. Trabalhamos uma Maçonaria que deixe de lado os muros, etiquetas e fronteiras e que construa pontes para que homens livres, de fé e de bons costumes possam trabalhar para engrandecer nosso estado e País.

 

SERENÍSSIMO IRMÃO KAMEL AREF SAAB

GRÃO-MESTRE DO GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO

 

Artigo publicado na Edição 29 da Revista Luzes