As mãos que talharam anos de arte maçônica

Entrevista com o Irmão Joaquim da Silva, nosso artesão

Publicada por Gosp

Publicada em 09/02/2021

Conhecido como o artesão da maçonaria, Joaquim Oliveira da Silva, que se descreve como uma pessoa normal, como qualquer outra, nos contou um pouco mais sobre o seu trabalho e sua vida, fizemos algumas perguntas, confira.

Joaquim nos conte um pouco sobre a sua vida, sua ocupação, sua família...

J: Sou uma pessoa normal como qualquer ser humano. Estudei e sou formado, em minha vida já exerci 4 profissões: mecânico de manutenção, ajustador, desenhista e projetista. Por último cursei engenharia elétrica na Universidade de Mogi das Cruzes, mas não cheguei a completar, parei durante o 5º ano. Sou pai de três meninas, Adriana, Alessandra e Aline. Já sou avô também, tenho dois netos o Noah e a Valentina. Em maio vou fazer 45 anos de casado com minha esposa Rosângela, como pode ver tenho 4 mulheres em minha vida!

E como você se tornou artesão?

J: Não consigo lembrar a data em específica, foi algo que aconteceu naturalmente, comecei fazendo “Mensageiros dos Ventos”, sinos que são colocados nas portas, como um favor para meu cunhado, ele gostou tanto que me chamou para ser seu sócio, depois disso fiquei anos fazendo esses mensageiros até que aos poucos eles foram saindo de moda. 

Certo dia, fui à loja de artigos maçônicos 3 pontos, do meu amigo e Irmão Mario, na Rua São Joaquim em São Paulo, não me recordo exatamente o que pretendia comprar, mas lembro-me de dizer a ele “Mario, eu consigo fazer isto para você”, era um tipo de malhete. Eu fiz e ele gostou, a partir daí passou a encomendar outras coisas e já faz anos que fabrico peças para o Mario como: ferramentas; candelabros; castiçais; fiz também decorações de algumas lojas; peças para colocar em mesas de Oficiais, suporte de livros, etc. Então já fiz muitas coisas e ainda continuo fazendo. 

Você entrou primeiro na Maçonaria e depois começou a fazer artesanato?

J: Eu entrei para a Maçonaria em 8 de abril de 1985, lembro-me muito bem desta data, uma semana depois minha sogra faleceu e os Irmãos da minha loja de Bragança compareceram ao velório, ainda não conhecia a todos, mas eles estavam lá, foi algo inesperado, uma surpresa muito grande e feliz. Comecei a fazer artesanato para a maçonaria há mais de 20 anos, hoje sou aposentado e trabalho apenas com produtos maçons. Não utilizo materiais como MDF, somente madeira de lei, meus produtos são maciços, todos envernizados, não produzo nada com tinta, o bonito da madeira é apresentar as fibras aparecendo, por mais que com o passar dos anos ela vá escurecendo assim como uma prata. Eu fabrico para diversas Lojas, algumas por mais tempo outras menos, possuo mais de 100 itens de produtos Maçons.

Estando tão envolvido com o Grande Oriente de São Paulo, o que mais te agrada na potência?

J: Eu acho que existe uma coisa muito bonita, pois houve uma separação por falta de tolerância, e hoje eu ainda sou a favor daquela frase que um dos Irmãos disse “Devemos ter a maçonaria sem fronteiras.” Eu sinto que não há separação de potências, meus Irmãos são meus Irmãos e acabou, acredito que isso deve ser respeitado em todos os lugares. Todos somos filhos de Deus, a nossa filosofia prega união.

Para finalizar, como você se sente com o centenário do GOSP?

J: Ver o GOSP completando 100 anos é maravilhoso!