Revolução Constitucionalista de 1932

Breve estudo sobre o movimento

Publicada por Gosp

Publicada em 10/08/2022

A Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Guerra Paulista, foi a revolta armada realizada por grupos da elite do Estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que tinha como intuito estimular a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A razão do conflito despertou-se a partir da Revolução de 1930, evento que marcou a ascensão de Vargas ao poder e o início do Governo Provisório. Em 1931, Vargas anulou a constituição de 1931, com isso, ele revogou a autonomia dos estados brasileiros e destruiu o pilar que sustentava o poder paulista: o sistema federalista e a economia baseada no setor agrário.

Assim, com Vargas como chefe de governo e a ausência da prometida Assembleia Nacional Constituinte, o país basicamente não tinha uma Constituição, enquanto Getúlio centralizava cada vez mais poderes. Situação que irritou os paulistas que tinham apoiado a Revolução de 1930, em sua maioria membros do Partido Democrático (PD) formado por dissidentes do PRP.

Outra questão importante foram os interventores selecionados para governar os Estados do Brasil, visto que, Getúlio interferiu nas escolhas e elegeu apenas interventores militares, o que mais uma vez reforçou a perda de autonomia dos estados, já que os governantes não eram escolhidos por seus políticos, mas sim pelo Presidente provisório. 

Em 23 de maio de 1932, uma manifestação contra o Governo Vargas foi realizada por estudantes, que foram mortos pelas forças do chefe provisório. Estas mortes provocaram a indignação da classe média paulista, que demonstrou ainda mais apoio à causa constitucionalista.

Assim, no dia 9 de julho de 1932 começaram os ataques ao governo de Getúlio Vargas, liderados pelo então interventor do Estado de São Paulo, Pedro de Toledo (1860-1935). Por meio de grandes meios de comunicação, como rádio e jornais, os participantes do movimento conseguiram mobilizar a população, reunindo mais de 200 mil voluntários, dos quais 60 mil eram combatentes.

Do lado oposto, as forças de Vargas contavam com um total de 100 mil soldados, que enfrentaram as forças paulistas durante 87 dias de combate, até que em 2 de outubro os tropos do Estado de São Paulo se rendem na cidade de Cruzeiro, assinando o rendição no dia 3 de outubro.

As consequências do combate são retomadas em uma contagem oficial de 934 mortos. No entanto, apesar de perder a batalha, o movimento constitucionalista acabou atingindo seu objetivo, pois seus esforços fortaleceram o fervor popular pela Constituição, o que resultou em uma eleição em 1933 e depois, em 1934, no nascimento de uma Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a nova Carta Magna do Brasil, promulgada naquele mesmo ano.